Esse Blog foi elaborado para os aluno do Colégio Estadual Almirante Tamandaré em São Pedro da Aldeia - RJ - Professora Helaine Soares.
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segunda-feira, 2 de julho de 2012
Para o 3º ano. Um Desafio!
Antigamente, existia uma tecnologia chamada máquinas de escrever ou de datilografar – Eram aquelas máquinas pesadas, de ferro, onde se colocava uma folha e ia batendo com os dedos nas teclas e imprimindo através de uma fita tintada o texto escrito.
Gerador de oportunidades de emprego e trabalho, o ensino de datilografia era um quesito tão importante até os anos 1990 quanto aprender a digitar uma carta em algum processador eletrônico de texto nos dias de hoje. Muitos ainda desconhecem que tanto a máquina de escrever antiga quanto o computador para produção de texto praticamente é a mesma coisa. Dactilo grego ou digitus em latim se referem a dedos. Datilografia (escrever com dedos) ou digitação (ação pelos dedos) se referem à prática de compor textos através dos teclados de máquinas de escrever e nesse caso, o computador passa a ser uma dessas máquinas.
Datilografia, portanto é 'Escrever com os dedos'. Ou seja, apertar botões com os dedos para escrever.
Datilografia é uma palavra de origem grega.
'Dactilo' significa 'dedo', e 'grafia' significa 'escrita'.
Datilografia é o mesmo que Digitação.
Digitação é uma palavra derivada do Latim
Digitus significa ‘dedos’ e é uma ‘ação’ praticada.
Hoje nós podemos escrever a partir do teclado do nosso computador.
O nosso desafio é:
Como nomear a ação de utilizar os dedos para inserir caracteres no Tablet ou na tela do Telefone Celular, o toutch screen (ou seja, o toque na tela)?
Crie esse Neologismo!Mas, ATENÇÃO: só servem palavras da nossa língua. Tentem criar à partir dos conceitos já existentes e expliquem o motivo da sua escolha, a etimologia ou a formação da palavra.
terça-feira, 22 de maio de 2012
Trovadorismo
Ótimo material sobre Trovadorismo. Os alunos da turma 1003 gostaram muito.
Está aí para quem perdeu!
http://www.slideshare.net/clauheloisa/trovadorismo#
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Macunáima - Para o 3º Ano.
Galera,
Cada grupo deve Ler os textos do nosso livro págs. 44 até 53 e produzir uma conversa entre amigos no Facebook, assumindo, cada um, um personagem da Obra Macunaima, depois enviem para o meu e-mail que eu vou postar aqui.Até 30/04
Encontrei um site com um interessante resumo sobre a obra Macunaíma de Mário de Andrade.
http://www.angelfire.com/mn/macunaima
Boa Pesquisa! Uma alternativa é fazer uma pesquisa observando o episódio do filme onde Macunaíma se transforma em Homem da Metrópole. Faça uma reflexão sobre essa transformação. Utilize o conceito de ANTROPOFAGISMO defendido por Mário de Andrade. Produza um material que represente essa transformação para ser publicado aqui. Felipe da 3001 já fez o dele: Conceito de Antropofagismo
Cada grupo deve Ler os textos do nosso livro págs. 44 até 53 e produzir uma conversa entre amigos no Facebook, assumindo, cada um, um personagem da Obra Macunaima, depois enviem para o meu e-mail que eu vou postar aqui.Até 30/04
Encontrei um site com um interessante resumo sobre a obra Macunaíma de Mário de Andrade.
http://www.angelfire.com/mn/macunaima
Boa Pesquisa! Uma alternativa é fazer uma pesquisa observando o episódio do filme onde Macunaíma se transforma em Homem da Metrópole. Faça uma reflexão sobre essa transformação. Utilize o conceito de ANTROPOFAGISMO defendido por Mário de Andrade. Produza um material que represente essa transformação para ser publicado aqui. Felipe da 3001 já fez o dele: Conceito de Antropofagismo
terça-feira, 3 de abril de 2012
Reforma Ortográfica
Essa é para todo mundo, todas as turmas:
O site da Uol Educação com Tudo sobre a Reforma Ortográfica
JOGUE AQUI!
O site da Uol Educação com Tudo sobre a Reforma Ortográfica
JOGUE AQUI!
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Atividade Para a Turma 1003
Olá queridos alunos, iniciando nossas atividades de 2012 temos como tema o Samba Enredo.
"O samba-enredo, também chamada de samba de enredo, é um sub-gênero do samba moderno, surgido no Rio de Janeiro na década de 1930, feito especificamente para o desfile de uma escola de samba. Anualmente, as escolas de samba costumam promover concursos internos, onde várias músicas são apresentadas ao público em suas quadras, onde ao final, normalmente entre os meses de setembro e outubro, uma delas é escolhida como samba-enredo oficial para o Carnaval do ano seguinte. Algumas vezes, opta-se por fundir dois ou mais sambas-enredo que sejam do agrado dos membros da escola.[1] O samba campeão embala a escola durante a fase de preparação, ensaios técnicos até ser apresentado no desfile de carnaval. Para que um samba seja considerado samba-enredo, o mesmo deve retratar o enredo escolhido pela comissão de carnaval da escola (não confundir enredo com tema). O samba-enredo é um dos quesitos utilizados no julgamento dos desfiles das escolas. A evolução da escola em muito depende do andamento do samba e seu desenrolar na avenida: algumas escolas preferem deixar o samba mais calmo, outras mais agitado, ou ainda mais românticos! Tudo depende de seu estilo de desfile que pode mudar de carnaval para carnaval. Escolas de Samba que tradicionalmente se apresentam com uma quantidade muito grande de componentes, em geral usam uma batida mais rápida para acelerar o movimento dos foliões na avenida e manter a harmonia do conjunto."
Vamos estudar produção artística do nosso Brasil, a Literatura e a Poesia e a Cultura que encanta nossa nação e os turistas que visitam nossa terra.
A Melhor maneira de falar das belezas do nosso país é pela voz do povo, retratada através dos desfiles anuais das Escolas de Samba com suas belas alegorias e fantasias.
A NOSSA TAREFA INICIAL É PESQUISAR OS ENREDOS E LETRAS DAS MÚSICAS QUE FALAM DAS MARAVILHAS DO NOSSO PAÍS. VOCÊ DEVE PROCURAR UMA LETRA DE SAMBA ENREDO DE QUALQUER ÉPOCA QUE FALE SOBRE O BRASIL OU SOBRE UM DE NOSSOS ESTADOS, EXALTANDO SUAS BELEZAS NATURAIS. COPIE O TEXTO, NOME DOS AUTORES ANO QUE FOI APRESENTADO E ESCOLA DE SAMBA. DEPOIS FAÇA UM COMENTÁRIO DE 5 LINHAS EM MÉDIA. NÃO ESQUEÇA DE ASSINAR A SUA POSTAGEM. SEU TRABALHO VALE 0,5 PARA A MÉDIA DO BIMESTRE.
"O samba-enredo, também chamada de samba de enredo, é um sub-gênero do samba moderno, surgido no Rio de Janeiro na década de 1930, feito especificamente para o desfile de uma escola de samba. Anualmente, as escolas de samba costumam promover concursos internos, onde várias músicas são apresentadas ao público em suas quadras, onde ao final, normalmente entre os meses de setembro e outubro, uma delas é escolhida como samba-enredo oficial para o Carnaval do ano seguinte. Algumas vezes, opta-se por fundir dois ou mais sambas-enredo que sejam do agrado dos membros da escola.[1] O samba campeão embala a escola durante a fase de preparação, ensaios técnicos até ser apresentado no desfile de carnaval. Para que um samba seja considerado samba-enredo, o mesmo deve retratar o enredo escolhido pela comissão de carnaval da escola (não confundir enredo com tema). O samba-enredo é um dos quesitos utilizados no julgamento dos desfiles das escolas. A evolução da escola em muito depende do andamento do samba e seu desenrolar na avenida: algumas escolas preferem deixar o samba mais calmo, outras mais agitado, ou ainda mais românticos! Tudo depende de seu estilo de desfile que pode mudar de carnaval para carnaval. Escolas de Samba que tradicionalmente se apresentam com uma quantidade muito grande de componentes, em geral usam uma batida mais rápida para acelerar o movimento dos foliões na avenida e manter a harmonia do conjunto."
Vamos estudar produção artística do nosso Brasil, a Literatura e a Poesia e a Cultura que encanta nossa nação e os turistas que visitam nossa terra.
A Melhor maneira de falar das belezas do nosso país é pela voz do povo, retratada através dos desfiles anuais das Escolas de Samba com suas belas alegorias e fantasias.
A NOSSA TAREFA INICIAL É PESQUISAR OS ENREDOS E LETRAS DAS MÚSICAS QUE FALAM DAS MARAVILHAS DO NOSSO PAÍS. VOCÊ DEVE PROCURAR UMA LETRA DE SAMBA ENREDO DE QUALQUER ÉPOCA QUE FALE SOBRE O BRASIL OU SOBRE UM DE NOSSOS ESTADOS, EXALTANDO SUAS BELEZAS NATURAIS. COPIE O TEXTO, NOME DOS AUTORES ANO QUE FOI APRESENTADO E ESCOLA DE SAMBA. DEPOIS FAÇA UM COMENTÁRIO DE 5 LINHAS EM MÉDIA. NÃO ESQUEÇA DE ASSINAR A SUA POSTAGEM. SEU TRABALHO VALE 0,5 PARA A MÉDIA DO BIMESTRE.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
O que é o Parangolé?
INTERAGIR. INTERAGIR SEMPRE...
Oi pessoal, Finalizando nossos estudos, aí vai a melhor definição sobre o que é o Parangolé, tão discutido em nossas aulas:
"O Parangolé rompe com o modelo comunicacional baseado na
transmissão. Ele é pura proposição à participação ativa do "espectador"
- termo que se torna inadequado, obsoleto. Trata-se de participação
sensório-corporal e semântica e não de participação mecânica. Oiticica
quer a intervenção física na obra de arte e não apenas contemplação
imaginal separada da proposição. O fruidor da arte é solicitado à
"completação" dos significados propostos no parangolé. E as proposições
são abertas, o que significa convite à co-criação da obra. O indivíduo
veste o parangolé que pode ser uma capa feita com camadas de panos
coloridos que se revelam à medida que ele se movimenta correndo ou
dançando."
Marco Silva em 'Pedagogia do Parangolé'
Oi pessoal, Finalizando nossos estudos, aí vai a melhor definição sobre o que é o Parangolé, tão discutido em nossas aulas:
"O Parangolé rompe com o modelo comunicacional baseado na
transmissão. Ele é pura proposição à participação ativa do "espectador"
- termo que se torna inadequado, obsoleto. Trata-se de participação
sensório-corporal e semântica e não de participação mecânica. Oiticica
quer a intervenção física na obra de arte e não apenas contemplação
imaginal separada da proposição. O fruidor da arte é solicitado à
"completação" dos significados propostos no parangolé. E as proposições
são abertas, o que significa convite à co-criação da obra. O indivíduo
veste o parangolé que pode ser uma capa feita com camadas de panos
coloridos que se revelam à medida que ele se movimenta correndo ou
dançando."
Marco Silva em 'Pedagogia do Parangolé'
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Atividade para o 2º ano do EM - Valor 2 pontos. Até 25/11/2011
Atenção: Você deve ler o texto e o comentário.
Os Meninos devem reescrever a mensagem em forma de e-mail.
As Meninas, responder a carta, também em forma de e-mail.
Não se esqueça da sua identificação no Post, antes do seu texto!
UMA CARTA DE AMOR
CARTA DE MACHADO DE ASSIS A CAROLINA NOVAIS [RJ, 2 mar. 1868/9]
Minha querida C.
Recebi ontem duas cartas tuas, depois de dous dias de espera. Calcula o prazer que tive, como as li, reli e beijei! A m.ª(mesma) tristeza converteu-se em súbita alegria. Eu estava tão aflito por ter notícias tuas que saí do Diário a 1 hora para ir à casa e com efeito encontrei as duas cartas, uma da quais devera ter vindo antes, mas que, sem dúvida, por causa do correio, foi demorada. Também ontem deves ter recebido duas cartas minhas; uma delas, a que foi escrita no sábado, levei-a no domingo às 8 horas ao correio, sem lembrar-me (perdoa-me!) que ao domingo a barca sai às 6 horas da manhã. Às quatro horas levei a outra carta e ambas devem ter seguido ontem na barca das duas horas da tarde. Deste modo, não fui eu só quem sofreu com demora de cartas. Calculo a tua aflição pela minha, e estou que será a última.
Eu já tinha ouvido cá que o Manoel alugara a casa das Laranjeiras, mas o que não sabia era que se projetava essa viagem a Juiz de Fora. Creio, como tu, que os ares não fazem nada ao Felipe; mas compreendo também que não é possível dar simplesmente essa razão. No entanto, lembras perfeitamente que a mudança para outra casa cá no Rio seria excelente para todos nós. O Felipe falou-me nisso uma vez e é quanto basta para que se trate disto. A casa há de encontrar-se, porque empenha-se nisto o meu coração. Creio, porém, que é melhor conversar outra vez com o Felipe no sábado e ser autorizado positivamente por ele. Ainda assim, temos tempo de sobra: 23 dias par o nosso casamento, é quanto basta para que o amor faça um milagre, quanto mais isto que não é milagre nenhum. Vais dizer naturalmente que eu condescendo sempre contigo. Por que não? Sofreste tanto que até perdeste a consciência do teu império; estás pronta a obedecer; admiras-te de seres obedecida. Não te admires, é cousa muito natural; és tão dócil como eu; a razão fala em nós ambos. Pedes-me cousas tão justas, que eu nem teria pretexto de te recusar se quisesse recusar-te alguma cousa, e não quero.
A mudança de Petrópolis para cá é uma necessidade; os ares não fazem bem ao Felipe, e a casa aí é um verdadeiro perigo para quem lá mora. Se estivesses cá não terias tanto medo dos trovões, tu que ainda não estás bem brasileira, mas que o hás de ser espero em Deus.
Acusas-me de Pouco, confiante em ti? Tens e não tens razão; confiante sou; mas, se te não contei nada é porque não valia a pena contar. A minha história passada do coração, resumem-se em dous capítulos: um amor, não correspondido; outro, correspondido. Do primeiro nada tenho que dizer; do outro não me queixo; fui eu o primeiro a rompê-lo. Não me acuses por isso; há situações que se não Prolongam sem sofrimento. Uma senhora de minha amizade obrigou-me, com os seus conselhos, a rasgar a página desse romance sombrio; fi-lo com dor, mas sem remorso. Eis tudo.
A tua pergunta natural é esta: Qual destes dous Capítulos era o da Corina? Curiosa! Era o primeiro. O que te afirmo é que dos dois o mais amado foi o segundo.
Mas nem o primeiro nem o segundo se parecem nada corri o terceiro e último capítulo do meu coração. Diz a Stãel que os primeiros amores não são os mais fortes porque nascem simplesmente da necessidade de amar. Assim é comigo; mas, além dessas, há uma razão capital, e é que tu não te pareces nada com as mulheres vulgares que tenho conhecido. Espírito e coração como os teus são prendas raras; alma tão boa e tão elevada, sensibilidade tão melindrosa razão tão reta não são bens que a natureza espalhasse às mãos cheias pelo teu sexo. Tu pertences ao pequeno número de mulheres que ainda sabem amar, sentir e pensar. Como te não amaria eu? Além disso tens para mim um dote que realça os mais: sofreste. É a ambição dizer à tua grande alma desanimada: "levanta-te, crê e ama; aqui está uma alma que te compreende e te ama também".
A responsabilidade de fazer-te feliz é decerto melindrosa; mas eu aceito-a com alegria, estou que saberei desempenhar este agradável encargo.
Olha, querida; também eu tenho pressentimento acerca da felicidade; mas que é isto senão o justo receio de quem não foi ainda completamente feliz?
Obrigado pela carta que me mandaste; dei-lhe dous beijos como se fosse em ti mesma, pois que apesar de seca e sem perfume, trouxe-me ela um pouco de tua alma.
Sábado é o dia de minha ida; faltam poucos dias e está tão longe! Mas que fazer? A resignação é necessária para quem está à porta do paraíso; não afrontemos o destino que é tão bom conosco.
Volto à questão da casa; manda-me dizer se aprovas o que te disse acima, isto é, se achas melhor conversar outra vez com o Felipe e ficar autorizado por ele, a fim de não parece ao Manoel que eu tomo uma intervenção incompetente nos negócios de sua família. Por ora, precisamos de todas estas precauções. Depois... depois, querida, queimaremos o mundo, por que só é verdadeiramente senhor do mundo quem está acima das suas glórias fofas e das suas ambicões estéreis. Estamos ambos neste caso; amamo-nos; e eu vivo e morro por ti. Escreve-me e crê no coração do teu
MACHADINHO.
II - MACHADO DE ASSIS NUMA INTIMIDADE DESNUDADA - COMENTÁRIO DE JOÃO FERREIRA
A carta reproduzida acima foi escrita por Machado de Assis a Carolina Novais, sua namorada, no dia 2 de março de 1868/9. O texto encontra-se em Obra completa de Machado de Assis, volume III, Rio de Janeiro:Editora Nova Aguilar, 1994.
2.1. Machado era nessa altura um jovem romântico de 29 anos. Sua manifestação carinhosa mostra ao natural a linguagem espontânea do amor apaixonado e maduro.
Ao dizer à namorada que recebeu suas duas cartas e que teve muito prazer em recebê-las, em lê-las, em relê-las e beijá-las, dá-nos o testemunho sentimental de que seu coração estava decididamente fixado em Carolina Novais.
Outro detalhe de sua romântica paixão expressa bem explícita nesta carta é quando afirma que sofreu com a demora das cartas. Em seguida, envolvido na preocupação de arranjar uma casa para morar após o casamento, confessa que ainda há 23 dias e que esses 23 dias "é quanto basta para que o amor faça o milagre"...
2.2. Com muita habilidade mostra condescendência para com Carolina e reconhece a força amorosa que Carolina tem sobre ele: "Sofreste tanto que até parece que perdeste a consciência do teu império. Estás pronta a obedecer; admiras-te de seres obedecida. Não te admires, é coisa muito natural. És tão dócil como eu. A razão fala em nós ambos. Pedes-me coisas tão justas que eu nem teria pretexto de te recusar se quisesse recusar-te alguma coisa e não quero".
2.3. Em seguida defende-se da acusação de Carolina de que ele não tem confiança na namorada por não lhe contar seus casos amorosos anteriores. "Confiante sou", responde. "Mas se te não contei nada é porque não valia a pena contar. A minha história passada do coração resume-se em dois capítulos: um amor não correspondido; outro, correspondido. Do primeiro, nada tenho que dizer; do outro não me queixo; fui eu o primeiro a rompê-lo. Não me acuses por isso. Há situações que se não prolongam sem sofrimento."
2.4. Citando Madame de Stael diz que os primeiros amores não são os mais fortes porque nascem simplesmente da necessidade de amar. E contrastivamente passa a falar do amor de Carolina: "Tu não te pareces nada com as mulheres vulgares que tenho conhecido".
2.5 E logo passa a tecer as qualidades de sua namorada: "Espírito e coração como os teus são prendas raras; alma tão boa e tão elevada, sensibilidade tão melindrosa, razão tão reta não são bens que a natureza espalhasse às mãos cheias pelo teu sexo"! E dá a Carolina um elogio extremo: "Tu pertences ao pequeno número de mulheres que ainda sabem amar, sentir e pensar". Aproveita e pergunta: "Como não te amaria eu"? Valoriza a história de vida e a capacidade de sofrer de Carolina.
2.6. Machado passa a ponderar sobre a responsabilidade que tem de fazê-la feliz - responsabilidade que diz aceitar com alegria: "estou que saberei desempenhar este agradável encargo". "Olha, querida", diz: "também eu tenho pressentimento da minha felicidade".
2.7. Agradece a carta recebida: "dei-lhe dois beijos como se fosse em ti mesma".
2.8. E como se fosse um jovem namorado igual aos nossos jovens de hoje, ele também espera ansioso pelo sábado que é o dia em que vai visitar Carolina: "Sábado é o dia da minha ida. Faltam poucos dias e está tão longe! Mas que fazer? A resignação é necessária para quem está à porta do paraíso. Não afrontemos o destino que é tão bom conosco"!
Para finalizar a carta, Machado comporta-se como um apaixonado de verdade: "Amamo-nos. E eu vivo e morro por ti. Escreve-me e crê no coração do teu Machadinho."
João Ferreira
Brasília, 1 de outubro de 2008
Texto extraído de http://www.usinadeletras.com.br
em 08/11/2011. Algumas partes foram adaptadas por Helaine.
Assista vídeo sobre a vida de Machado de Assis:
http://www.youtube.com/watch?v=jbZy49mc5Ks
Os Meninos devem reescrever a mensagem em forma de e-mail.
As Meninas, responder a carta, também em forma de e-mail.
Não se esqueça da sua identificação no Post, antes do seu texto!
UMA CARTA DE AMOR
CARTA DE MACHADO DE ASSIS A CAROLINA NOVAIS [RJ, 2 mar. 1868/9]
Minha querida C.
Recebi ontem duas cartas tuas, depois de dous dias de espera. Calcula o prazer que tive, como as li, reli e beijei! A m.ª(mesma) tristeza converteu-se em súbita alegria. Eu estava tão aflito por ter notícias tuas que saí do Diário a 1 hora para ir à casa e com efeito encontrei as duas cartas, uma da quais devera ter vindo antes, mas que, sem dúvida, por causa do correio, foi demorada. Também ontem deves ter recebido duas cartas minhas; uma delas, a que foi escrita no sábado, levei-a no domingo às 8 horas ao correio, sem lembrar-me (perdoa-me!) que ao domingo a barca sai às 6 horas da manhã. Às quatro horas levei a outra carta e ambas devem ter seguido ontem na barca das duas horas da tarde. Deste modo, não fui eu só quem sofreu com demora de cartas. Calculo a tua aflição pela minha, e estou que será a última.
Eu já tinha ouvido cá que o Manoel alugara a casa das Laranjeiras, mas o que não sabia era que se projetava essa viagem a Juiz de Fora. Creio, como tu, que os ares não fazem nada ao Felipe; mas compreendo também que não é possível dar simplesmente essa razão. No entanto, lembras perfeitamente que a mudança para outra casa cá no Rio seria excelente para todos nós. O Felipe falou-me nisso uma vez e é quanto basta para que se trate disto. A casa há de encontrar-se, porque empenha-se nisto o meu coração. Creio, porém, que é melhor conversar outra vez com o Felipe no sábado e ser autorizado positivamente por ele. Ainda assim, temos tempo de sobra: 23 dias par o nosso casamento, é quanto basta para que o amor faça um milagre, quanto mais isto que não é milagre nenhum. Vais dizer naturalmente que eu condescendo sempre contigo. Por que não? Sofreste tanto que até perdeste a consciência do teu império; estás pronta a obedecer; admiras-te de seres obedecida. Não te admires, é cousa muito natural; és tão dócil como eu; a razão fala em nós ambos. Pedes-me cousas tão justas, que eu nem teria pretexto de te recusar se quisesse recusar-te alguma cousa, e não quero.
A mudança de Petrópolis para cá é uma necessidade; os ares não fazem bem ao Felipe, e a casa aí é um verdadeiro perigo para quem lá mora. Se estivesses cá não terias tanto medo dos trovões, tu que ainda não estás bem brasileira, mas que o hás de ser espero em Deus.
Acusas-me de Pouco, confiante em ti? Tens e não tens razão; confiante sou; mas, se te não contei nada é porque não valia a pena contar. A minha história passada do coração, resumem-se em dous capítulos: um amor, não correspondido; outro, correspondido. Do primeiro nada tenho que dizer; do outro não me queixo; fui eu o primeiro a rompê-lo. Não me acuses por isso; há situações que se não Prolongam sem sofrimento. Uma senhora de minha amizade obrigou-me, com os seus conselhos, a rasgar a página desse romance sombrio; fi-lo com dor, mas sem remorso. Eis tudo.
A tua pergunta natural é esta: Qual destes dous Capítulos era o da Corina? Curiosa! Era o primeiro. O que te afirmo é que dos dois o mais amado foi o segundo.
Mas nem o primeiro nem o segundo se parecem nada corri o terceiro e último capítulo do meu coração. Diz a Stãel que os primeiros amores não são os mais fortes porque nascem simplesmente da necessidade de amar. Assim é comigo; mas, além dessas, há uma razão capital, e é que tu não te pareces nada com as mulheres vulgares que tenho conhecido. Espírito e coração como os teus são prendas raras; alma tão boa e tão elevada, sensibilidade tão melindrosa razão tão reta não são bens que a natureza espalhasse às mãos cheias pelo teu sexo. Tu pertences ao pequeno número de mulheres que ainda sabem amar, sentir e pensar. Como te não amaria eu? Além disso tens para mim um dote que realça os mais: sofreste. É a ambição dizer à tua grande alma desanimada: "levanta-te, crê e ama; aqui está uma alma que te compreende e te ama também".
A responsabilidade de fazer-te feliz é decerto melindrosa; mas eu aceito-a com alegria, estou que saberei desempenhar este agradável encargo.
Olha, querida; também eu tenho pressentimento acerca da felicidade; mas que é isto senão o justo receio de quem não foi ainda completamente feliz?
Obrigado pela carta que me mandaste; dei-lhe dous beijos como se fosse em ti mesma, pois que apesar de seca e sem perfume, trouxe-me ela um pouco de tua alma.
Sábado é o dia de minha ida; faltam poucos dias e está tão longe! Mas que fazer? A resignação é necessária para quem está à porta do paraíso; não afrontemos o destino que é tão bom conosco.
Volto à questão da casa; manda-me dizer se aprovas o que te disse acima, isto é, se achas melhor conversar outra vez com o Felipe e ficar autorizado por ele, a fim de não parece ao Manoel que eu tomo uma intervenção incompetente nos negócios de sua família. Por ora, precisamos de todas estas precauções. Depois... depois, querida, queimaremos o mundo, por que só é verdadeiramente senhor do mundo quem está acima das suas glórias fofas e das suas ambicões estéreis. Estamos ambos neste caso; amamo-nos; e eu vivo e morro por ti. Escreve-me e crê no coração do teu
MACHADINHO.
II - MACHADO DE ASSIS NUMA INTIMIDADE DESNUDADA - COMENTÁRIO DE JOÃO FERREIRA
A carta reproduzida acima foi escrita por Machado de Assis a Carolina Novais, sua namorada, no dia 2 de março de 1868/9. O texto encontra-se em Obra completa de Machado de Assis, volume III, Rio de Janeiro:Editora Nova Aguilar, 1994.
2.1. Machado era nessa altura um jovem romântico de 29 anos. Sua manifestação carinhosa mostra ao natural a linguagem espontânea do amor apaixonado e maduro.
Ao dizer à namorada que recebeu suas duas cartas e que teve muito prazer em recebê-las, em lê-las, em relê-las e beijá-las, dá-nos o testemunho sentimental de que seu coração estava decididamente fixado em Carolina Novais.
Outro detalhe de sua romântica paixão expressa bem explícita nesta carta é quando afirma que sofreu com a demora das cartas. Em seguida, envolvido na preocupação de arranjar uma casa para morar após o casamento, confessa que ainda há 23 dias e que esses 23 dias "é quanto basta para que o amor faça o milagre"...
2.2. Com muita habilidade mostra condescendência para com Carolina e reconhece a força amorosa que Carolina tem sobre ele: "Sofreste tanto que até parece que perdeste a consciência do teu império. Estás pronta a obedecer; admiras-te de seres obedecida. Não te admires, é coisa muito natural. És tão dócil como eu. A razão fala em nós ambos. Pedes-me coisas tão justas que eu nem teria pretexto de te recusar se quisesse recusar-te alguma coisa e não quero".
2.3. Em seguida defende-se da acusação de Carolina de que ele não tem confiança na namorada por não lhe contar seus casos amorosos anteriores. "Confiante sou", responde. "Mas se te não contei nada é porque não valia a pena contar. A minha história passada do coração resume-se em dois capítulos: um amor não correspondido; outro, correspondido. Do primeiro, nada tenho que dizer; do outro não me queixo; fui eu o primeiro a rompê-lo. Não me acuses por isso. Há situações que se não prolongam sem sofrimento."
2.4. Citando Madame de Stael diz que os primeiros amores não são os mais fortes porque nascem simplesmente da necessidade de amar. E contrastivamente passa a falar do amor de Carolina: "Tu não te pareces nada com as mulheres vulgares que tenho conhecido".
2.5 E logo passa a tecer as qualidades de sua namorada: "Espírito e coração como os teus são prendas raras; alma tão boa e tão elevada, sensibilidade tão melindrosa, razão tão reta não são bens que a natureza espalhasse às mãos cheias pelo teu sexo"! E dá a Carolina um elogio extremo: "Tu pertences ao pequeno número de mulheres que ainda sabem amar, sentir e pensar". Aproveita e pergunta: "Como não te amaria eu"? Valoriza a história de vida e a capacidade de sofrer de Carolina.
2.6. Machado passa a ponderar sobre a responsabilidade que tem de fazê-la feliz - responsabilidade que diz aceitar com alegria: "estou que saberei desempenhar este agradável encargo". "Olha, querida", diz: "também eu tenho pressentimento da minha felicidade".
2.7. Agradece a carta recebida: "dei-lhe dois beijos como se fosse em ti mesma".
2.8. E como se fosse um jovem namorado igual aos nossos jovens de hoje, ele também espera ansioso pelo sábado que é o dia em que vai visitar Carolina: "Sábado é o dia da minha ida. Faltam poucos dias e está tão longe! Mas que fazer? A resignação é necessária para quem está à porta do paraíso. Não afrontemos o destino que é tão bom conosco"!
Para finalizar a carta, Machado comporta-se como um apaixonado de verdade: "Amamo-nos. E eu vivo e morro por ti. Escreve-me e crê no coração do teu Machadinho."
João Ferreira
Brasília, 1 de outubro de 2008
Texto extraído de http://www.usinadeletras.com.br
em 08/11/2011. Algumas partes foram adaptadas por Helaine.
Assista vídeo sobre a vida de Machado de Assis:
http://www.youtube.com/watch?v=jbZy49mc5Ks
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